Farmacêuticas antecipam "crescimento significativo" com sede da Agência do Medicamento em Portugal

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) é uma das maiores e mais importantes agências europeias, responsável pela avaliação, supervisão e monitorização da segurança de todos os medicamentos utilizados na UE.

Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) felicita a aprovação por unanimidade pela Assembleia da República do voto de saudação de apoio à candidatura de Portugal à sede da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), considerando-a como de interesse nacional.

Em declarações ao Jornal Económico, o presidente da Apifarma considera mesmo que a fixação da sede da EMA "pode contribuir para o crescimento nacional de forma significativa".

"A fixação da EMA em Portugal pode contribuir para o crescimento nacional de forma significativa, fruto de um modelo de desenvolvimento económico e social firmado nas ciências da vida e com uma comprovada capacidade de arrasto sobre diversas áreas da economia", afirmou ao Jornal Económico João Almeida Lopes. Continuar a ler

Segundo este responsável, a decisão de avançar com esta candidatura demonstra "a lucidez e a firmeza" do Governo a respeito do valor e da relevância da Agência Europeia dos Medicamentos. E aplaude o reconhecimento unânime da Assembleia da República: "prova que perante assuntos de indiscutível interesse nacional é possível construir consensos, facto que fortalece a candidatura de Portugal junto dos nossos parceiros europeus".

A entidade liderada por João Almeida Lopes destaca "a união" em torno do interesse nacional deste projecto, considerando que aumenta "o compromisso e a responsabilidade" do sector das ciências da vida, nomeadamente indústria farmacêutica e as autoridades nacionais na área da Saúde, em prol desta candidatura. E reforça que a iniciativa parlamentar "é um óptimo sinal para o país e, mais importante, é uma mensagem clara para o exterior da determinação e da qualidade da candidatura portuguesa para acolher a sede da EMA".

A Apifarma regista, pois, com agrado que o Parlamento português sinalize como pontos fortes para acolher a sede da EMA - agência europeia da maior importância na avaliação e monitorização da segurança dos medicamentos a utilizar na União Europeia - o ambiente científico e académico e a prossecução de um desempenho de excelência na área das agências de medicamentos.

Na saudação da Assembleia da República, aprovada em plenário a 10 de maio, todos os partidos destacam que "para Portugal, a escolha para sede da EMA teria um forte impacto, desde logo de carácter reputacional e com ganho de subsequentes argumentos para a atratividade e competitividade do país, mas também económicos aos mais diversos níveis".

"A localização da sede da EMA em Lisboa teria um efeito de contágio imediato para as empresas e restantes entidades que interagem com a agência, ainda que não tenham atividade económica direta nesse país", lê-se no voto de saudação da Assembleia da República.

Portugal formalizou, a 6 de maio, a candidatura a sede da EMA, depois de o Conselho de Ministros ter aprovado a 27 de abril a candidatura de Portugal a sede da Agência Europeia do Medicamento, pretendendo instalá-la em Lisboa, uma vez que devido à saída do Reino Unido da União Europeia a entidade terá que ser relocalizada.

Na corrida estão mais de vinte candidatos, quase todos Estados-membros, entre as muitas cidades candidatas contam-se Bruxelas, Barcelona, Milão, Amesterdão, Atenas, Dublin, Copenhaga e Estocolmo.

Também a Associação de Farmácias de Portugal já aplaudiu a candidatura portuguesa e considerou que se for bem-sucedida "vai constituir um motor de desenvolvimento económico, mas também científico, para o nosso país".

A EMA tem, atualmente, cerca de 900 funcionários permanentes. Recebe ainda, regularmente, mais de 3000 especialistas na sua sede e tem um budget anual de 300 milhões de euros, constituindo uma das maiores agências europeias.

A saída do Reino Unido da União Europeia determina a relocalização das agências europeias sediadas em Londres, entre as quais a EMA, uma das maiores e mais importantes agências europeias. A agência tem como missão promover a excelência científica na avaliação, supervisão e monitorização da segurança dos medicamentos cuja utilização se destine à UE e Espaço Económico Europeu, trabalhando em conjunto com cerca de 50 autoridades nacionais do medicamento.

Para o Executivo, a presença da EMA é um "fator de prestígio para o país que a acolhe e tende a atuar como polo de atração da presença da indústria farmacêutica, potenciando, em particular, as áreas de investigação e desenvolvimento e os ensaios clínicos".

À semelhança do que acontece noutros países, o objetivo de Portugal de vir a acolher a agência determina a criação de uma Comissão de Candidatura Nacional (CCN). Esta será o suporte institucional para a organização e promoção da candidatura, através do estabelecimento de orientações, definição de estratégia, planeamento e determinação de meios e ações a desenvolver.

Segundo o Governo de António Costa, Lisboa reúne as condições adequadas para acolher uma Agência com o perfil da EMA, apontando a excelente localização geográfica, com boas acessibilidades, incluindo aéreas, e capacidade hoteleira instalada.

Portugal têm também as capacidades técnicas e científicas para acolher a EMA, sendo que autoridade nacional reguladora do medicamento, o Infarmed, tem hoje uma posição cimeira no âmbito dos procedimentos de avaliação de medicamentos e na coordenação de comités e grupos de trabalho da EMA. 

18-05-2017